não me tragas flores que eu sofro




se um dia me deitar ao teu lado, que seja por teres reparado. pra lá da alma que muitas vezes não sossega a ânsia de se pertencer.
e se um dia os teus braços cobrirem a pele que me reveste, que se acerquem de mim por finalmente repousarem no lugar aonde pertencem. e descansem. e dali jamais queiram sair segredando-te bem baixinho essa vontade eterna.
que sejamos riso e choro, no meio do nada e fora de tudo. que eu te ensine os gestos que sei e tu as palavras que descobriste primeiro. subtilmente, farei com que guardes na gaveta da mesinha de cabeceira a tua companhia dos sinónimos, antónimos e predicados à preferência das pessoas e faças do que tens à vista o verbo do teu futuro, onde apenas uses o 'nós'. eu prometo deixar-te usar códigos linguísticos, equações matemáticas, algoritmos e esquemas lógicos, sempre que o tempo te urge e andes à procura da definição exata para a primeira pessoa do plural. depois, venha o amor. para que percebas que após as certezas universais existem todas as outras coisas, espreitando sempre pela porta adentro sem dar tempo para arrumar a casa e o coração. 
que nos baralhemos.  nos desarrumemos. sem ninguém se importar com a bagunça que vai ficando para trás porque o que surge na frente é sempre mais tranquilo. 
e se um dia me entrares pelo céu da boca e desceres até ao centro de mim, onde todas as coisas boas e doces estão guardadas, então quero que saibas: quero-te, fica. sem o por favor.

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