Eu ainda não sou o que vim cá ser.



e só me completarei em ti... 

a vida é feita,por vezes, assim de pequenas solidões e amores inacabados. guardados em silêncios até que se dissolvam. casaste a uma segunda-feira, que antecedeu o 5 de Outubro mas há mais de 25 anos que estás implantado no meu coração e isso sim devia ser motivo para uma celebração. 

mas se sorris é porque te faz muito feliz e eu guardo com carinho a forma como a olhas. como a abraças e colocas a tua mão toda aberta a meio das suas costas como se a quisesses guardar para sempre dentro de ti. e é por isso que eu sei que és dos bons. dos que valem toda uma vida de tentativas. aquelas que eu perdi, por não voltar atrás naquele dia de Março e dizer-te que também te queria muito, gosto-te muito. apesar de tudo. 

até esse momento tudo foi uma possibilidade, que de putos a adultos, não voltou acontecer. de Lisboa ao Porto e do Porto a Lisboa assim nos perdemos, e abre-se um buraco no coração. um parêntesis que não sabemos fechar. e no absurdo do nada quando te lembro, sei que pelo meio vivo. tento. amo diferente, mas amo. e esboço um sorriso aconchego sempre que ouço "não se encontra duas vezes o que te dei", muito consciente da minha sorte, porque "há quem viva a vida inteira sem achar alguém". como quem acredita que a vida não é mais do que uma sucessão de capítulos e, nós, um eterno retorno se tudo em nós for inacabado. Mas atiramos o amor para a intimidade sepulcral do silêncio quando se ouve barulho em todo o lado e fazemos nele a nossa casa muda. inacabada e dissoluta a solução resume a isto: enroscas-te aceitas-te incongruente e acolhes-te. que nós nos fazemos à vida e que depois a vida nos faz a nós. anda mais depressa que quatro pernas juntas e se não corres para a apanhares vives na apatia do que poderia ter sido bonito. e apesar dos atrasos e demoras que o passado de mofo possa ter, há uma verdade irreplicável… Nenhuma decisão é vinculativa sem significância emocional, sem eco de paixão e sem recheio de amor. é talvez por isso que ainda me persegues em muitas noites de sonho e questiono-me se também te assombrarei todas as vezes de volta. 

se decidirmos desistir de ser felizes seremos provavelmente menos audaciosos na intimidade e mais desequilibrados quando nos dão a hipótese de extravasar. dizem que a pior ressaca da vida, não são os anos seguintes, é a vida que nos escapa. é desse excesso que o mundo reclama, de toda a combustão não exercida. o Amor, esse sacana, tem sempre esta dupla qualidade, tem que sobre, mas esgota sempre.

ninguém consegue ser suficientemente sano na espera por algo, quando a probabilidade joga contra. já não tenho o cabelo aos caracóis e tu o teu à tigela… quando envelhecemos já ninguém olha para nós, à procura no embrulho, das respostas que só a essência pode dar. A velhice pode ser tremendamente só, mas acredito que somos tremendamente inteiros. e é nesta máxima que reside a minha fé. consumir-me-ei, até ser velhinha na eterna espera. que sejas velhinho também. e só. 

Lá fora as árvores estão a curtir com o vento, como diz a Carolina, foi por um triz.





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